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Postado por Rogerio Distefano as 20:27 - Categoria:Geral - Terça-feira, 24/05/2011 | Sem Comentários »-
O Maxblog mudou de endereço. Agora está no www.rogeriodistefano.com.
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Os call centers ‘poderão estar gravando’ os telefonemas do serviço de assistência ao consumidor. A gravação das conversas passa a ser obrigatória por decisão da agência reguladora do setor. Depois dessa o Brasil ’pode estar transferindo’ seus call centers para a Índia, como as empresas norte-americanas fazem há algum tempo.
Sabatina secreta para os candidatos a conselheiros do TCE. Diários secretos, diárias secretas, funcionários secretos, os deputados do Paraná fazem tudo em segredo. Na assembleia legislativa só os copos são transparentes. O resto se faz escondido. Por que a sabatina não é pública? Simples: o conselheiro já foi escolhido. É secreta porque pode aparecer um que impressione a imprensa e os abelhudos que inventarem de ir assistir.
Chega hoje em Curitiba o paranaense preso no Paquistão por escrachar numa mesquita. Agora que saiu do sufoco que ponha a mão na consciência e pense: pra que ir ao Paquistão criar confusão com muçulmano quando pode usar os poderes em casa, ali no Centro Cívico, na assembleia legislativa? O Paquistão é assunto do Talebã e dos EUA. Os fantasmas são nossos.
Daniel Antonio Fernandes foi preso depois de 13 anos foragido. Acabou preso porque caiu na vaidade típica dos frequentadores de redes sociais: postou foto no Orkut (que só existe no Brasil) e caiu na rede do tira esperto que procurava bandidos pela internet – medalha para esse tira, que é bom, ninguém dá. Assaltou o Banestado, em Roncador, e vivia tranquilamente em São Paulo, enquanto esperava a pena prescrever. Outros, que também assaltaram o Banestado, continuam livres, nem se escondem, a gente cruza com eles todos os dias, até aparecem nos jornais, inclusive ocupam cargos públicos.
Revista Piauí, edição 56: “Dos 27 deputados estaduais alagoanos, um responde a processo no qual é acusado de chefiar uma “organização criminosa” que desviou 302 milhões de reais da Assembleia. Outros três são acusados de serem mandantes de assassinatos – um dos mortos tinha 17 anos e levou dez tiros pelas costas. Outro responde a processo por furto de energia e tentativa de homicídio do técnico da companhia de energia que detectou o “gato”. Um vereador de Maceió conseguiu ser eleito fazendo campanha de dentro da cadeia”.
Sacanagem. Hoje, 23 de maio, é o Dia da Tartaruga, quando Rubens Barrichello completa 39 outonos. Somaram um com o outro e Rubinho virou piada no Twitter.
Em Campinas o vice-prefeito está foragido, assim também os secretários de administração e segurança. Estão entre os vinte atingidos por mandado de prisão em investigação de corrupção no município. A primeira-dama e o chefe-de-gabinete do prefeito estão incluídos na investigação. O prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) está sob risco de impeachment. Campinas é a terceira cidade em importância no Estado de São Paulo. Num país em que a presidente considera normal e ético o seu ministro da Casa Civil receber honorários adiantados nos dois meses que antecederam a posse – dela e dele – no governo, soa como injustiça investigar corrupção na prefeitura de Campinas.
O ministério público dos tribunais de contas finalmente resolveu funcionar como ministério público – ainda que em benefício próprio. Explico. A Associação Nacional do Ministério Público de Contas passou à imprensa o resultado de sua investigação: 54 conselheiros de TCs estaduais respondem a processos judiciais que revelam ‘crimes de contas’, atos incompatíveis com a função de fiscalizar o dinheiro público ou uso das prerrogativas da função para patrocinar interesses, próprios ou de terceiros, incompatíveis com a função de fiscalizar o dinheiro público; o uso da autoridade e do poder dos TC para extrair dinheiro dos fiscalizados. Tem caso do conselheiro de Alagoas que produz e ‘vende’ cadernos escolares para prefeituras do Estado. A ANMPC não informa se há conselheiros oriundos do ministério público entre os 54 maus elementos.
O número 54 representa 20% dos membros de todos os TCs estaduais. A briga da ANMPC surgiu ligeiramente tisnada pelo auto-interesse: os procuradores de contas querem abrir espaço para eles na reserva de mercado estabelecida em favor dos deputados estaduais nas vagas de conselheiros. Publiquei aqui semana passada a nota da ANMPC a respeito. A atuação da entidade que representa o MPTC assim mesmo é bem vinda. Nós, aqui da cidadania ativa, sempre precisamos de reforço, seja ele generoso e franco, seja ele utilitário e egoísta. A atuação da ANMPC está no limiar ainda impreciso entre o corporativismo puro e a vigilância institucional. Se o ministério público geral não estivesse num viés de complacência com a vigilância do Estado e dos políticos consultores-ministros da Casa Civil até poderia ajudar a ANMPC.
Newt Gingrich, pré-candidato republicano à presidência dos EUA, recebe críticas porque gastou US$ 500 mil em joias na loja Tiffany’s, de Nova Iorque, durante 2005 e 2006. Só pelos lavish spendings, gastos excessivos, não pelo uso de dinheiro público ou de fonte não justificada.
No Brasil o político pode exibir lavish earnings, ganhos excessivos, também inexplicáveis. Mas “não pode ser crucificado” (J. Serra), “tem integridade” (P. Maluf), “não infringe a ética da administração pública” (S. Pertence); criticado, é manobra contra o governo (Dilma).
Assim declaram os nominados entre parênteses sobre Antonio Palocci, atual ministro que em dois meses, depois de coordenar a campanha presidencial vitoriosa, levantou R$ 10 milhões em honorários de consultorias a empresas privadas sobre negócios com o governo federal.
“Confio plenamente na integridade do ministro Antonio Palocci” – palavras de Paulo Maluf. Encerrem-se as investigações, o homem é definitiva e inapelavelmente culpado. Mas nunca será preso. Como Maluf.
Dominique Strauss-Kahn, o ex-chefe do FMI preso por atentado violento ao pudor em Nova Iorque, tenta limpar sua imagem de estuprador e contrata firma de relações públicas formada por ex-policiais e ex-agentes da CIA. O ministro Antonio Palocci também contratou empresa para limpar sua imagem de traficante de influência. Mas só para tirar a Casa Civil do pedaço, pois seus assessores quase queimaram seu filme ao compará-lo com políticos de outros governos que também se fizeram consultores e enriqueceram.
No Brasil o crime compensa, nos EUA não. Nos EUA a justiça e a opinião pública são tão poderosas que o delinquente tem que provar que sua vítima é culpada. No Brasil, com justiça seletiva e complacente e opinião pública abúlica e obnóxia, o delinquente importante não precisa de defesa. Quando precisa, outro delinquente o ajuda. A coisa funciona.
Palocci não enfrenta um milésimo dos problemas de Strauss-Kahn, apesar de ter também cometido atentado ao pudor – só que ao pudor cívico e sem a agravante da violência. Diferente do atentado de Strauss-Kahn, o de Palocci tem a atenuante da consensualidade: a vítima tolera a agressão, muitas vezes a aplaude e geralmente defende o criminoso. A vítima de Palocci, para quem não sabe, chama-se Nação brasileira. A vítima de Strauss-Kahn, para quem chega agora, é uma camareira viúva e muçulmana, imigrante da Guiné.
A vítima de Strauss-Kahn chamou a polícia. A vítima de Palocci relaxa e tem orgasmos múltiplos, como no conselho de Marta Suplicy, petista, paulista e representante de São Paulo no Congresso como Palocci. Não digo que é honesta como Palocci porque ainda não defendeu Palocci; quando defender, será honesta como Palocci.
A revista Forbes divulga o ranking e situa São Paulo como a 6ª cidade do mundo em quantidade de milionários. Como diria o presidente Lula, “é a 5ª.”, pois agora tem o um novo milionário: Antonio Palocci, o consultor que compra apartamento de R$ 6 milhões e ganha R$ 10 milhões em dois meses – um deles o de dezembro, quando as empresas estão com problemas de caixa pelo pagamento do 13º. salário.
Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações, foi o consultor que trabalhou para a TIM ter autorização do Ministério das Comunicações para operar telefonia celular com os Correios. Cumpriu quarentena para não ser suspeito de conflito de interesses. No Brasil ‘quarentena’ significa exatamente quarenta dias. E conflito de interesses significa deixar o interesse público prevalecer sobre o interesse privado.
A empresa do ministro Antonio Palocci faturou R$ 10 milhões entre novembro e dezembro de 2010 – quando Dilma já estava eleita e ele definido como ministro da Casa Civil, o mais próximo da presidente. Só isso seria suficiente para tornar suspeito o pagamento. Quando se sabe que houve quitação antecipada de serviços – leia-se serviços ainda incompletos – a imoralidade se escancara, sugere outra antecipação: a de pagamento de serviços futuros, a compra da boa vontade e favores do futuro ministro. Só não vê imoralidade nisso quem é cego, inocente, cúmplice ou porque faz o mesmo que Palocci.
O caso Palocci é o teste decisivo da idoneidade do governo Dilma. E para que cidadania, judiciário e legislativo demonstrem o compromisso mínimo com moralidade pública. A permanência de Palocci no governo Dilma só se admite sob justificação como a de Raskolnikov, assassino de Crime e Castigo, romance de Dostoievski, afirma “se Deus não existe, então tudo é permitido”. Se Palocci continuar no governo, toda as a imoralidadea é permitida ao político brasileiro. Erenice Guerra deve retornar ao ministério, para corrigir-se a ’injustiça’ de tirá-la de um governo que pratica tráfico de influência.
A tropa de choque da polícia militar dispara bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que ocuparam a avenida Paulista, em São Paulo, em desafio à proibição judicial da marcha pela descriminação da maconha. Precisava proibir, precisava reprimir? A manifestação só por si não vai liberar a maconha. Mas a justiça e a polícia têm um pingo de razão: não tem coisa mais importante que a maconha para fazer manifestação? A roubalheira na saúde pública por exemplo. Ou o enriquecimento do ministro Antonio Palocci?
Dirigiu a família com mão de ferro, o método da colônia e da casa do pai siciliano e mãe napolitana; filho que recusava a comida ouvia “mangi questa minestra o salti quella finestra” – coma a sopa ou pule pela janela. Os filhos saídos pelo mundo, o marido para o cemitério, finalmente passou a ser dona de sua vida. Até que um filho reapareceu, instalou-se na casa, “por uns poucos dias”, disse, mas ia ficando. Fosse só o filho até resolveria, ainda funcionava com o método da colônia, porém veio junto a namoradinha, agitada, oferecida, prestativa, metediça e abelhuda demais – corria para recolher os pratos da mesa, todo dia um espatifado no chão; lavava a louça deixando restos de gordura e excesso de detergente. Uma semana de tolerância, chamou o filho: “Quer ficar, fique. A namorada também, mas de hóspede”. E rematou com o dialeto bárbaro da colônia, que o filho sabia terminativo e final: “Qua commando me”.
Em 2010 Antonio Palocci faturou R$ 20 milhões em consultorias trabalhando para 20 empresas. Se metade do ano trabalhou como coordenador da campanha de Dilma, fez a fortuna em seis meses. Tamanha rentabilidade nem Eike Batista consegue, o Midas brasileiro.
Antonio Palocci pede que o prefeito de São Paulo preserve o sigilo de sua empresa de consultoria, pois informações sobre suas atividades são arquivadas no município. As empresas clientes de Palocci temem a divulgação dos serviços para o qual o contrataram.
No Brasil o homem público se acha isento do dever da transparência, da plena divulgação de suas atividades e ganhos para o cidadão que o elege e paga seu salário. Ainda bem que tem burocrata que vaza e petista que faz dossiê. Só assim o povo se informa.
A presidente Dilma opta pela cumplicidade, ao invés de determinar que o ministro preste as informações que a sociedade espera dele. Diz que seu auxiliar é vítima de difamação. Dilma se mostra igual a todos os políticos. Nessa hora veste o espírito de corpo.
Se tudo correr bem não emplaca. O talk show de Danilo Gentili, do CQC, teve seu lançamento adiado pela TV Bandeirantes. Os convidados para a gravação do programa piloto descartam os convites. Gentili é o autor da piada de pior gosto dos últimos tempos: sobre a resistência dos paulistanos à instalação de estação do metrô na Avenida Angélica, em São Paulo, disse que eles têm medo de tomar o trem e acabar em Auschwitz. Por muito menos o diretor Lars von Trier foi expulso ontem do Festival de Cannes: disse que admirava Hitler, embora discordasse de sua política. Gentili foi à sinagoga pedir perdão. Os franceses não perdoam. Neles pesa a pecha de colaboração com a ocupação da França por Adolf Hitler.